sábado, 19 de janeiro de 2008

Sonho x realidade




A doce brisa que me acariciava
aos poucos se transformava
num forte e frio vendaval
O céu que límpido me iluminava
aos poucos se transformava
numa obscura e tempestuosa abóboda celestial

O verde que me rodeava
ao vendaval ia cedendo
e o clima de medo
aos poucos me envolvendo

De repente um grande ruído
meus ouvidos se ensurdeceram
era um barulho jamais ouvido
que juntando-se ao clima totalmente inóspito
me despertaram um curiosidade
que aos poucos movia meu corpo
e excitava minha mocidade

Movimentos rápidos e repentinos
movidos apenas pelo instinto
me levaram ao alto da colina
pelo instinto curioso-faminto...

Então, na beira do abismo
Com os ouvidos ensurdecidos
Avistei a origem dos ruídos
Gigantescas e amedrontadoras
Numa cena completamente surreal
Vi voar nos céus, as grandes nadadoras

Totalmente petrificado
Curioso e amedrontado
Eu as vi flutuar no azul celestial
Pesada, leves, numa dança sem igual
Subiam aos ares duas imensas baleias
Será tudo um sonho,
Ou há nisso tudo um pouco de real?

Patrícia de Medeiros


Tempo


Passas ligeiro sem aviso
como o vento no rosto
deixas rugas nos sonhos
e a esperança pálida, lassada...
Enfraqueces, inflexível, o joelho
e dobras, derrubas, o mais forte.
Portas desgraças e aportas no estático
como rocha, sem matéria, que cai na cabeça e faz calo.
Calaste a boca de tantos e tantos outros sepultarás
em tua cova fria, implacável, és tú, o Senhor dos homens
tempo! que escorre em meus dedos
e repousa no infinito.
Bruno Moreira

domingo, 13 de janeiro de 2008

Pense N'eu




Pense n'eu quando em vez coração
Pense n'eu vez em quando
Onde estou, como estarei
Se sorrindo ou se chorando
Se sorrindo ou se chorando
Pense n'eu... vez em quando
Pense n'eu... vez em quando

Tô na estrada, tô sorrindo apaixonado
Pela gente e pelo povo do meu país (olêlê)
Tô feliz pois apesar do sofrimento
Vejo um mundo de alegria bem na raiz (vamos lá)
Alegria muita fé e esperança
Na aliança pra fazer tudo melhor (e será)
Felicidade o teu nome é união
E povo unido é beleza mais maior.


Luiz Gonzaga

A Cumeeira de Aroeira Lá da Casa Grande (Jessier Quirino)



Oh! cumeeeira de aroeira dessa casa-grande
Veja e nos mande uma visão dessa velha morada
Sendo a parada retilínea do telhado em quedas
Não te arredas dessa empena tão estruturada
Sois a chegada de telheiro, ripa e caibaria
Hospedaria de pavôes, corujas e pardais
Nos teus anais e cabedais de vida em cumeeira
Diz aroeira - dessa casa - o que enxergas mais?


- Pelas janela e portais lá da sala da frente
Vejo contentes e voantes espreguiçadeiras
Relaxadeiras de alpendre junto à rede armada
Lonas listradas, cores-vivas, vidas de cadeira
As choradeiras de avencas pendem dos frechais
E os fuás das trepadeiras jasmineiras voam
Blusas magoam com bateres as saias das portas
E vejo as hortas de verduras que nos afeiçoam.


Esta é a visão daqui de cima que meu olho expande
Eu, cumeeira de aroeira desta casa-grande.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008



Vejo o cimento avermelhado do piso da sala
E nesta sala quatro portas e quatro janelas
Cor amarela combinado com retrato antigo
E pouco artigo de mobília se avista nela
Uma janela abre as asas por cima dum cofre
Atrás do cofre inclinado: rifle e mosquetão
Um birozão de escritório, uma banca de rádio
E junto ao rádio uma cadeira balança no chão.

Esta é a visão daqui de cima que meu olho expande
Eu, cumeeira de aroeira desta casa grande.

A sala interna sem janelas vive apenumbrada
Iluminada pelas frechas vindas do telhado
O decorado do bufê é uma ceia-larga
E se alarga grande mesa de pau trabalhado
De lado a lado, quatro portas, uma a cada quarto
Sala de parto dos bruguelos por ali nascidos
Vejo o florido de lençóis, de redes e armários
E os sanitários de penicos neles escondidos.
Esta é a visão daqui de cima que meu olho expande
Eu, cumeeira de aroeira desta casa-grande.

Segue o comprido estendido da sala do meio
No arrodeio rumo ao fundo grande petisqueiro
O quarteleiro de comidas, louças e talheres
Onde mulheres abrem e fecham pelo dia inteiro
Alvissareiro é o vão que surge mais adiante
A confortante copa-grande junto da cozinha
Sala-rainha, mesa farta, tamanho banquete
Com tamboretes, bancos largos, banca de quartinha.
Esta é a visão daqui de cima que meu olho expande
Eu, cumeeira de aroeira desta casa-grande.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008



Vem a cozinha festa em festa pelo dia inteiro

Um verdadeiro alegreiro de se cozinhar

O esquentar de um fogão de lenha braseado

E outro fogão de ferro inglês de branco cintilar

Tem o abrir e o fechar do móvel azul pintado

Amorcegado de canecos, conchas e peneiras

A paneleira aramada pende na parede

E mata a sede o pote frio na porta traseira.


Esta é a visão daqui de cima que meu olho expande

Eu, cumeeira de aroeira desta casa-grande.
 
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