domingo, 16 de dezembro de 2007

Meu amor!



...Estarreci. A dôr não pode mais do que a surpresa. A coice d’arma, de coronha...
Ela era. Tal que assim se desencantava, num encanto tão terrível; e levantei mão pra me benzer – mas com ela tapei foi um soluçar, e enxuguei as lágrimas maiores. Uivei. Diadorim! Diadorim era uma mulher. Diadorim era uma mulher como o sol não acende a água do rio Urucúia, como eu solucei meu desespero.
O senhor não repare. Demore, que eu conto. A vida da gente nunca tem termo real.
Eu estendi as mão para tocar naquele corpo, e estremeci, retirando as mão para trás, incendiável: abaixei meus olhos. E a Mulher estendeu a toalha, recobrindo as partes. Mas aqueles olhos eu beijei, e as faces, a boca. Adivinhava os cabelos. Cabelos que cortou com tesoura de prata... E eu não sabia por que nome chamar; eu exclamei me doendo:
‑ “Meu amor!...”
João Guimarães Rosa

4 comentários:

Michel disse...

para elaborar esse desenho me inspirei numa imagem do quadro "A Morte de Marat", de Jacques-Louis David. Obrigado pela dica Kaline Guedes! Um ótimo natal p vc.

Patrícia disse...

Me arrepiei ao ler o texto...o livro deve ser realmente maravilhoso!

Se a dica foi realmente boa eu não sei, mas que o desenho me causou um forte impacto, ele causou.

Bastante expressivo, o suficiente para juntamente com o texto, quase me arrancar lágrimas.

Parabéns.
Pena que este é o último post de Veredas, sentirei saudades dos trechos de literatura que vc posta.

Beijão

Mauricio Babilonia disse...

to com a patricia, o desenho ta perfeito, extremamente expressivo! muito foda!

prepostojpa disse...

Só que ser merda esse tal de Michel, ir bucar inspiração no neoclassicismo, será que esta buscando fazer como o Jacques-Louis David, dominar durante anos a atividade artística, hehehehe.
Ei boy ficou muito boa a gravura e o texto caiu muito bem, ou vice-versa.

 
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